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Mauro Mota

 
                                              
              
" Elegia nº 8  "              

A sombra para sempre refletida,
pouco importa que esteja o corpo ausente.
Do silencio do piano, de repente,
rebenta a tua valsa preferida.

Canção de Viena na hora e no ambiente
onde, em antigas noites, foi ouvida.
A tristeza da tua despedida
quando as rosas abriam suavemente.

O medo de alma que, no escuro, tinhas,
a música dos gestos e da fala,
tuas mãos a tremer dentro das minhas.

A valsa preferida que rebenta
diáfanos véus em giros pela sala,
teu fantasma dançando a valsa lenta.



Mauro Ramos da Mota e Albuquerque -
nasceu em Recife, PE, em 16 de agosto de 1911,
e faleceu na mesma cidade em 22 de novembro de 1984.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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