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" O Meu Lar  " 
                                                          Mário Cruz                                


- Por que não hei de ter um lar como os demais,
e uma mulher que seja a minha grande Amiga,
de cujo lábio brote uma eterna cantiga,
como se fora irmã das fontes musicais?

- Por que não hei de amar a ingênua rapariga,
de luminoso olhar e mãos espirituais,
cuja beleza evoque uma Madona antiga,
pálida como o luar, loura como os trigais?

Oh, pudesse eu ouvir-lhe a voz clara e cantante
recitar lentamente uma estrofe do Dante,
à hora em que a luz do luar as almas arrebata!

Cingir-lhe docemente o corpo num abraço,
e reclinada a fronte em seu puro regaço,
adormecer ao som da sua voz de prata.


Mário Cruz
1917 – Belém, Pará
Sem indicação biográfica
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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