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" A Uma Ginandra  " 
                                                                               Mário Cruz                                


Teu corpo adolescente, estilizado e esgalgo,
dir-se-ia que o plasmou a alma de Baudelaire:
cadenciado e harmonioso, o teu andar sugere
indolências de gato e posturas de galgo .

Vestida por Chanel, tua elegância fere
a atenção mais rebelde: em teu porte fidalgo,
de Diana, a Caçadora, algo existe, e existe algo
do luminoso Apolo heril do Belvedere.

Quando, serena e pálida, a tua fronte assoma,
o seu estranho olhar lembra as sacerdotisas
de Lesbos e Gomorra e os filhos de Sodoma,

pois, no teu corpo em flor de hetaira maldita
coexistem numa só, fundidas e indivisas,
as almas imortais de Hermes e de Afrodita!


Mário Cruz
1917 – Belém, Pará
Sem indicação biográfica
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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