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" A Bem-Amada  " 
                                              Mário Cruz                                

    

- Ó liturgias negras e vermelhas   
no holocausto da flor-tabu do Sexo,
sobre um corpo que cheira a mel de abelhas,
e que cingimos num profundo amplexo !

Das nacaradas conchas das orelhas
vir com a boca até parar, perplexo,
à beira do seu ventre, algo convexo,
que encerra nebulosa e centelhas...

E quando a Bem-Amada, doce e langue,
na tortura do espasmo, quase exangue,
toda se contorcer numa ânsia louca,

quero sentir-lhe as lágrimas correr
pelo meu rosto abaixo, e adormecer
no hálito a respirar de sua boca...


Mário Cruz
1917 – Belém, Pará
Sem indicação biográfica
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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