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                "Ah, poder esperar tendo esperança
                    é a mais doce esperança desta vida".
                                       J. G. de Araujo Jorge
 

" Espera  "  
                           Márcia Valyna
       

Viver para um amor que é espera infinita,
viver para um amor que há de ser sempre espera,
vendo esvair-se em mim, numa angústia inaudita
desperdiçado e em vão meu fim de primavera!

E ver a Natureza inteira que palpita
desde o pássaro à flor, e desde o inseto à fera,
sem destino e sem lei, na excitação bendita
que pelo espaço afora a própria vida gera.

Ter no sangue ainda moço o germe do pecado
e saber que o pecado o próprio bem encerra.
Ah! mil vezes ser a ave, o inseto, a fera, a flor,

que ter um coração e senti-lo esmagado;
e na vida fugaz e efêmera da terra,
viver somente à espera... à espera de um amor!


Márcia Valyna - pseudônimo de Conceição Valente,
Manhumirim, Minas, ( 1919).
Reside em Três Rios, Estado do Rio.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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