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Luís Delfino

" Os Seios  "


Nunca te vejo o peito arfar de enleio
quando de amor, ou de prazer te ebrias,
que não ouça, lá dentro, as fugidias aves,
baixo alternando algum gorjeio...

Aves são, e são duas aves, creio
que em ti mesma nasceram, e em ti crias,
ao arrulhar de castas melodias
no aroma quente e ebúrneo do teu seio;

têm de uns astros irmãos o movimento,
ou de dois lírios que balouça o vento
o giro doce, o lânguido vai-vém. . .

Oh! quem me dera ver no próprio ninho
se brancas são, como o mais branco arminho,
ou se asas, como as outras pombas têm . . .



      Luís Delfino dos Santos,
nasceu a 25 de agosto de 1834,

na antiga Desterro (hoje, Florianópolis) Sta Catarina.
morreu em 31 de janeiro de 1910 no Rio de Janeiro,

sem publicar um único livro.   
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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