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" O Olhar da Morta  "
                                                  Júlio Salusse (1872/1948)


Foi quando o sol nascia no levante
que ela, formosa como o sol, chegou.
Tornei-me louco desde aquele instante.
Louco por ela, como ainda estou.

Tivemos uma vida extravagante:
amei-a muito . . . Ela também me amou.
Partiu depois para um país distante,
partiu depois e nunca mais voltou.

Morreu, talvez. Todas as noites sonho
que me contempla o seu olhar tristonho,
olhar que um brilho fúnebre contém.

Desperto. Abro as janelas, louco, aflito
Crente que ela morreu, soluço e grito:
- por que motivo não morri também?


Júlio Mário Salusse
Bom Jardim, Município de Nova Friburgo

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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