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    " Soneto (alvoroço)  "
                                                     Júlio César da Silva
  

Quando me chego a ti, por mais que faça
por domar dentro em mim este alvoroço,
sinto que sou, sem reino e embora moço,
o rei de Thule, e tu, a minha taça.

Dos teus lábios ninguém hoje devassa
o fundo senão eu; e, enquanto posso,
no mel que eles contêm os meus adoço . . .
Mas, por fim, tudo cansa e tudo passa.

Não poder, como o rei, no fim da vida,
ante os meus cortesãos, jograis e sábios,
lançar-te ao mar também, taça querida,

para que ninguém mais sinta os ressábios
dessa bebida por mim só bebida
bela taça vermelha dos teus lábios!


Júlio César da Silva Soneto retirado à coletânea
"Rosal de Ritmos", de Luís Carlos.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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