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" Tântalo "
José Mata Roma
Conta uma lenda antiga, cuja fama
pelos tempos modernos ainda voa,
que, lá no Inferno, condenado, à-toa,
de fome e sede Tântalo rebrama.
Junto, corre uma fonte clara e boa;
perto, um galho de frutas se recama;
- mas, se ele quer comer, se afasta a rama;
e se tenta beber, a água se escoa!
Têm minha vida e a lenda o mesmo traço;
flagela-me também um vão desejo;
fome e sede incontidas também passo.
Punido como Tântalo me vejo:
- tão junto desse corpo, e não te abraço!
- tão perto dessa boca, e não te beijo!
José Mata Roma, maranhense, (1896)
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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