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" Soneto  "
                                               Jorge de Lima (1893-1953)


Como sombra invasora e transbordada
de asa de cinza e chuva quebradiça
tu desterras o tempo interrompido
com tua solidão alucinada.

Pedra de olvido, e fonte abandonada,
essa faixa de névoa é tão perdida
que morre e nasce em ti, se em mim tu inclinas
tua distância em plumas desfolhada.

De cal flutuante e de onda descontínua,
Musa, és tão só, tão mar ensimesmado
tão sortilégio, tão solitária e erma

que pareces escada submarina
para eu descer imerso, no teu reino
investido dos mantos decisivos.


Jorge Matheos de Lima
nasceu em Alagoas, em 1898.
          faleceu, no Rio de Janeiro, em 1953.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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