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" Olhos Rasos D'água  "
                                                            Jorge Falleiros
       

Com muita fé te amei e tu me amaste;
pelo afeto é que somos o que somos.
Nossa árvore da vida, em qualquer haste,
nos deu mil messes de dourados pomos.


E eu recordo os suavíssimos assomos
do amor que tu recordas. Por contraste
da memória daquilo que já fomos
é que vivemos hoje. Isto nos baste.


E, eu em ti, tu em mim, tão só nos fica
naufragarmos na cisma, entre os escolhos
da saudade que nos identifica.


E, sorrindo em disfarce vão da mágoa,
ponho olhos rasos d’água nos teus olhos,
e pões nos meus, teus olhos rasos d’água.   


Jorge Falleiros, Ituverava, S. Paulo, (1898/ 1924)
in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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