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" Torna-se a Minha Face "
Ilka
Sanches
Torna-se a minha face, porque te amo,
aurora em céu de outono fatigada: -
não fosse por silêncio que te chamo,
sabendo-te impossível a chegada!
Pensamento de ti é triste ramo
de árvore erguendo os braços para o nada,
jardim de angústia onde já não reclamo
ser flor da primavera desterrada.
Meu lábio não tem voz para a palavra:
chuva bendita aonde o incêndio lavra,
fragor final em que o sentir desaba.
Pereci, ou tal morte em vida cabe?
Ninguém responde, porque amor não sabe
onde a morte começa e a vida acaba.
Ilka Sanches.
Salvador, Bahia. (1922)
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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