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" Canção de Rude Amor
em
Tarde Mansa "
Ilka
Sanches
Luas nos olhos meus pedem o amparo
do teu gesto de amor e luz, enquanto
os crepúsculos densos baixam raro
plenilúnio de eterno desencanto.
Sob a melancolia deste pranto
dorme um silêncio de esperança avaro,
- silêncio que é maior se acaso canto
e teu nome em meu canto não declaro.
Solidão do sem ti - rude oferenda!
faz com que olhar aberto não mais veja,
e este sorriso meu, tristeza aprenda:
mistério que me vem de reino obscuro,
e o canto em que pereço faz que seja,
para tão clara dor, gemido impuro.
Ilka Sanches.
Salvador, Bahia. (1922)
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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