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" MÃE  "
                               Hermes Fontes


Para dizer quem foi a minha mãe, não acho
Uma palavra própria, um pensamento bom
Diógenes - busco-o em vão; falta-me a luz de um facho
- Se acho som, falta a luz; se acho luz, falta o som!

Tem nome - ó minha mãe - tem o sabor de um cacho
De uvas diáfanas, côr de ouro e pérola, com
Polpa de beijos de anjo... ouvi-lo é ouvir um sacho
Merencóreo, a rezar, no seu eterno tom...

Minha mãe! Minha mãe! Eu não fui qual devera.
Morreste e eu não bebi nos teus lábios de cera
A doçura que as mães, ainda mortas, contêm...

Ao pé de nossas mães - todos nós somos crentes...
Um filho que tem mãe - tem todos os parentes...
- E eu não tenho por mim, ó minha mãe, ninguém!

Hermes Martins Fontes
nasceu a 28 de agosto de 1888, em Bequim, Sergipe,
Faleceu a 24 de dezembro de 1930 no Rio de Janeiro.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a edição   1963

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