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" Olhos Tristes  "
                                                      Henriqueta Lisboa
   

Olhos mais tristes ainda do que os meus
são esses olhos com que o olhar me fitas.
Tenho a impressão que vai dizer adeus
este olhar de renúncias infinitas.

Todos os sonhos que se fazem seus,
tomam logo a expressão de almas aflitas.
E até que, um dia, chegue à mão de Deus,
será o olhar de todas as desditas.

Assim parado a olhar-me, quase extinto,
este olhar que, de noite, é como o luar,
vem da distância, bêbedo de absinto...

Este olhar, que me enleva e que me assombra,
vive curvado sobre o meu olhar
como um cipreste sobre a própria sombra.


Henriqueta Lisboa
1903 – Lambari – Minas.
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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