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" Renúncia "
Fugir, deixando um bem que o braço já tocava
pela incerteza atroz de uma fé que redime...
Fugir para ser livre, e sentir, na alma escrava,
a sujeição fatal de uma paixão sublime.
Fugir, e surdo à voz da consciência, que oprime,
opor diques de gelo a torrentes de lava,
sentindo, na renúncia, o alvoroço de um crime
que a ingratidão aumenta e a covardia agrava.
Fugir, tão perto já da enseada, vendo, ao fundo,
gaivotas esvoaçando entre velas e mastros,
na glorificação triunfal do sol fecundo.
Fugir do amor - fugir do céu, fugir de rastros,
sufocando um clamor que abalaria o mundo
e abafando um clarão que incendiaria os astros.
Heitor Lima, São Paulo de Muriaé,
Estado de Minas. (1887 )
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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