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" ASAS "
Heitor
Lima
O que torna mais triste o céu sangrento
ao pôr-do-sol, são as partidas, são
os adeuses dos pássaros ao vento,
numa incerta e fugaz palpitação.
Ah! Quantas vezes, no apressado ou lento
voejar de aves que vêm e aves que vão,
tocam-se duas asas um momento
e afastam-se em contrária direção . . .
Também os nossos corações, um dia,
se encontraram: no ocaso rubro ardia
o incêndio dos amores imortais.
E - asas, na tela acesa do sol poente -
um no outro eles roçaram levemente,
para não se encontrarem nunca mais!
Heitor Lima, São Paulo de Muriaé,
Estado de Minas. (1887 )
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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