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Guimarães Passos
                                                
 
" Teu Lenço  "

Esse teu lenço que eu possuo e aperto.
de encontro ao peito quando durmo, creio
que hei de um dia mandar-te, pois roubei-o
e foi meu crime, em breve, descoberto.

Luto, contudo, a procurar quem certo
possa nisto servir-me de correio;
tu nem calculas qual o meu receio,
se, em caminho, te fosse o lenço aberto...

Porém, ó minha vívida quimera!
Fita as bandas que habito, fita e espera,
que, enfim, verás em trêmulos adejos,

Em cada ponta um beija-flor pegando,
ir o teu lenço pelo espaço voando,
pando, enfunado, côncavo de beijos !...


Sebastião Cícero Guimarães Passos
nasceu  em Maceió,  AL,  em  22  de  março de 1867,
faleceu em Paris, França, em 9 de setembro de 1909.
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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