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"
Pérfida "
                                                   Francisca Júlia (1874/1920)



Disse-lhe o poeta: - "Aqui, sob estes ramos,
sob estas verdes laçarias bravas,
ah! quantos beijos, trêmula, me davas!
ah! quantas horas de prazer passamos!

Foi aqui mesmo, - como tu me amavas!
Foi aqui, sob os úmidos recamos
desta ramagem, que uma rede alçamos
em que teu corpo, mole, repousavas.

Horas passava junto a ti, bem perto
de ti. Que gozo então! Mas, pouco a pouco,
todo esse amor calcaste sob os pés".

- "Mas", disse-lhe ela, "quem és tu? Decerto
essa mulher de quem tu falas, louco,
não, não sou eu, porque não sei quem és. . ."


Francisca Júlia (1874/1920)
São Paulo - Capital
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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