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"
Imprevisto "
                                    Felix Aires (1904)



O viajante, ao passar., joga e esquece, na mata,
a ponta do cigarro, inconsciente do mal;
e nas folhas do chão a fagulha desata
o fogo que não veio ali proposital.

Irrompe a labareda, alarmante arrebata
ramos, troncos, rechãs a investida infernal!
Rubra serpente enorme em fúria desbarata
a fragrância, o viçor do reino vegetal!

Queima-se o campo, a roda, a um sopro, de improviso!
E longe, o causador de todo o prejuízo
vai muito alheio ao dano, olhos não volve atrás.

- Também há quem nos jogue o olhar flamante e quente
que o coração nos leva a uma paixão ardente
e a dona desse olhar nem sabe o mal que faz!


Felix Aires (1904)
Bacanal, Estado do Maranhão
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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