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" Carta Para o Amor Ausente "
Eny
Santos Judice (1930)
Nesta manhã nevoenta de fumaça
estou morrendo de saudades tuas;
há na minha alma convulsões de luas,
há no meu peito a angústia que amordaça.
Amor, estou sorvendo a amarga taça,
a taça amarga das verdades cruas;
e busco em vão no retinir das ruas,
sufocar este amor que me desgraça.
Inútil! . . . E a obsessão dos teus abraços?!
Sinto em mim ainda as mãos do teu carinho,
dedilharem as cordas dos meus braços,
e a tua ausência, e o teu silêncio enorme,
vivem cantando para mim baixinho,
ninando esta saudade que não dorme!
Eny Santos Júdice, (1930)
S. Fidélis, Estado do Rio.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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