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" Noite de Insônia "
Emílio
De Menezes (1867/1918)
Este leito que é o meu, que é o teu, que é o nosso leito,
onde este grande amor floriu, sincero e justo,
e unimos, ambos nós, o peito contra o peito,
ambos cheios de anelo e ambos cheios de susto;
este leito que aí está revolto assim, desfeito,
onde humilde beijei teus pés, as mãos, o busto,
na ausência do teu corpo a que ele estava afeito,
mudou-se, para mim, num leito de Procusto! . . .
Louco e só! Desvairado! - A noite vai sem termo
e estendendo, lá fora, as sombras augurais,
envolve a Natureza e penetra o meu ermo.
E mal julgas talvez, quando, acaso, te vais,
quanto me punge e corta o coração enfermo
este horrível temor de que não voltes mais ! . . .
Emílio de Menezes, (1867/1918)
Curitiba, Estado do Paraná.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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