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" Parasse o Tempo "
Elóra
Possolo (1905)
Parasse o tempo, as horas! Não andasse
o sol! E não houvesse oriente, poente.
E não morresse a flor que feliz nasce
e abre a corola ao dia, alegremente.
Não seguisse o seu curso, estacionasse
o rio. Fosse tudo permanente.
Parasse a terra! E sempre a mesma face
oferecesse ao sol, eternamente.
Parasse a vida, mas parasse agora
neste momento, em que - divina aurora
o teu viril desejo impera e quer,
e em que eu, pequena coisa tremulante,
a este teu beijo sôfrego de amante
meu frágil corpo, entrego, de mulher!
Elora Possolo, poetisa carioca (1905 ).
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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