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" Profanação "
Cynthia
Castello Branco
Tenho-lhe um ódio quase extravagante
depois de havê-lo amado com loucura...
As vezes penso que se o amor não dura,
tece correntes, mesmo agonizante!
Sinto-me escrava dele e a cada instante
pergunto-me a razão desta clausura! . . .
Talvez porque nascendo é uma ventura,
o amor que morre é sempre vigilante.
Quero afastar os laços que me prendem
ao meu destino, assim como se eu fora
este chão que ele pisa . . . E, entretanto,
garras do Tempo sobre mim se estendem
e é uma vertigem doida, embriagadora,
odiá-lo assim depois de amá-lo tanto!
Cynthia Castello Branco, - soneto retirado à
"Coletânea AABB" editada pelo Banco do Brasil,
de S. Paulo. Sem indicações biográficas.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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