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" Dentro do Abismo "
Corrêa
de Araújo
Morria... O abismo embaixo, esboroadas
Fauces horríveis para o espaço abria,
E eu suspenso no vácuo, as mãos pousadas
Nas margens negras, já sem fé morria.
Sei que caí mas que, ao cair, sagradas
Mãos me ampararam na voragem fria;
E, ao despertar, Alguém d'asas doiradas,
Alguém que eu amo, junto a mim sorria.
Eras tu! Amparaste-me a fugiste:
E eis-me de novo cheio de desditas!
E eis-me de novo desvairado e triste!
E clamo e gemo... que cruel contraste!
És tu agora que me precipitas
No meu abismo donde me tiraste!
Corrêa de Araújo - Sem indicações biográficas.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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