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" Musa Pagã "
Castro
Menezes (1883/1922)
Junto à herma de um fauno irônico e lascivo
erguida entre mirtais, num bosque silencioso,
certa vez te detive o passo alado e esquivo
e apertei contra mim teu corpo voluptuoso.
Tive a impressão de ser um semideus cativo.
Foi um beijo sensual, um frêmito de gozo . . .
Mas nunca mais senti o aroma quente e ativo
dessa flor, que é teu corpo olímpico e formoso.
Vendo-te hoje passar como uma estátua fria
de Penélope fiel, de novo a fantasia
daquela hora pagã eu rememoro e avivo.
E és sempre, para mim, a ninfa esquiva e linda,
a ninfa que enlacei, numa loucura infinda,
junto à herma de um fauno irônico e lascivo...
Álvaro de Sá Castro Menezes, (1883/1922)
Niterói, Estado do Rio de Janeiro.
in
"Os Mais Belos Sonetos que o
Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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