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     Castro
Alves (1847/1871)


" Barbora "


Erguendo o cálice que o Xerez perfuma,
loura a trança, alastrando-lhe os joelhos,
dentes níveos em lábios tão vermelhos,
como boiando em purpurina espuma;

um dorso de Walkíria . . . alvo, de bruma,
pequenos pés sob infantis artelhos,
olhos vivos, tão vivos, como espelhos,
mas como eles também sem chama alguma;

garganta de um palor alabastrino,
que harmonias, e música respira . . .
No lábio - um beijo. . . no beijar - um hino;

harpa eólia, a esperar que o vento a fira,
- um pedaço de mármore divino . . .
É o retrato de Barbora - a Hetaíra.


Antonio Frederico de Castro Alves. (1847/1871)
Fazenda de Cabaceiras, Cachoeira, Estado da Bahia.
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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