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" Cinzas "
Carlos
Porto Carreiro (1865 / 1932)
Cinzas... Poeira que ardeu, que arrefece e que esfria...
Cinzas... Que em tênue bloco um milagre sustenta,
e o vento desmorona e rola em tropelia
e anônimas desfaz na terra pardacenta...
Restos do que brilhou da vida na tormenta:
cinzas, que sois como eu, labareda vazia,
guardais no corpo inane do que ardia,
mas no âmago gelado a morte se apascenta.
Cinzas... Nesse conjunto em que esta alma se espelha
vejo a ruína do fogo, a escória da centelha
o cadáver da luz que o vento leva a esmo.
E eu, neste coração que em cinzas se esboroa,
- cinzas das ilusões - sinto levado, à toa,
o cadáver do amor que jaz dentro de mim mesmo...
Carlos da Costa Ferreira Porto Carreiro
Recife, Pernambuco (1865 / 1932)
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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