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" Idílio "
Carlos
Augusto Ferreira (1844-1913)
Vamos, amor, por esses campos fora,
asas abrindo à doce luz da vida,
ouvir a terna, a meiga, a apetecida
canção que entoa a terra à deusa Aurora.
Vamos, que é tempo. A natureza inflora
montes, vales, vergéis, e embevecida
treme de amor a rosa. Ouves, querida,
a ave que canta? a viração que chora?
Vês? Que alegre amnhã, Todo o arvoredo
tão fresco e bom! O alegre passaredo
enche a selva de mágico rumor...
Pois cantemos também, vamos risonhos
haurir a vida em turbilhões de sonhos,
asas abrindo ao quente sol do amor! . . .
Carlos Augusto Ferreira, (1844-1913)
Porto Alegre, Rio Grande do Sul
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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