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" O Fauno "
Caio
de Mello Franco (1896 / 1956)
No meu plinto de pedra, o olhar vazio,
a alma vazia, no jardim deserto,
sonho encolhido de tristeza e frio,
ouvindo a fonte que murmura perto.
As vezes penso: este meu fado incerto
mudou-se em gloria, fez-se amor! - Sorrio...
Depois, o tempo passa . . . E eis-me desperto
do meu longo e profundo desvario . . .
E súbito, em minha'alma primitiva
antes tranqüila e agora turva, a chama
de um desejo fugaz, crepita, viva...
Em meu corpo de pedra anseio e arquejo. . .
Sinto que em torno a natureza me ama
e atiro ao vento o meu primeiro beijo.
Caio de Mello Franco
1896 Montevideo, registrado no Consulado Brasileiro.
1956 Faleceu em Paris como embaixador.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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