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 "
Vergonha "
                                                             Benedita de Melo (1901)                     



- "Menina!" -- disse alguém, no grande instante
em que era dividido em dois um ser. . .
E essa palavra, pelo mundo avante,
foi o meu Santo orgulho de viver...

Ser menina. Ser moça. Ser constante.
Ser caráter. Ser honra. Ser dever.
Por mais tropeços que encontrasse adiante,
nunca me entristeci de ser mulher.

Mas veio o amor. Veio a traição ferina
e todo o orgulho meu de ser menina,
roubou-o a sorte malfadada a crua.

E veio a dor. E veio a magoa, o tédio...
E a vergonha escaldante e sem remédio
de ter sido mulher para ser tua.


Benedita de Melo, poetisa cega. Vicença,
Estado de Pernambuco. (1901)
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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