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" O Milagre do Tempo "
Baptista Santiago
Vê minha boa, minha dote amiga,
como pelo prazer de um só momento
o Destino implacável nos castiga
com longos dias de arrependimento!
Sem a luz de teus olhos, volto à antiga
solidão dum crepúsculo nevoento,
escutando a monótona cantiga
que a Saudade me traz na voz do vento.
É sempre assim o Amor quando nos deixa:
- primeiro a funda mágoa, o desconforto. . .
Ainda um soluço . . . ainda uma rara queixa,
e eis que voltamos a serenidade,
e sobre as ruínas do passado
morto despetalamos a última saudade . . .
BAPTISTA SANTIAGO, poeta mineiro.
Soneto retirado a coletânea "Rosal de Ritmos",
de Luis Carlos. Sem indicações biográficas.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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