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 "
Minha Senhora, o Amor "
                                                               Azevedo Cruz (1870/1905)


Degenerou, por fim, numa palavra falsa,
e hoje já não é mais uma alucinação;
tudo o que doura e o veste e o transfigura e o realça
da fantasia vem, nunca do coração!

É uma frase feliz no delírio da valsa,
uma chama no olhar, um aperto de mão. . .
Um capricho, uma flor, uma luva descalça
que alguém deixou cair e que se ergue do chão!

Disse-lhe isto e esperei. Um silêncio aflitivo,
longo e soturno como os torvos pesadelos,
pairou no espaço como um ponto sobre um i!

Dormi; quando acordei vi-me enterrado vivo,
dentro da noite má dos seus negros cabelos,
em cuja cerração quase que me perdi! . . .


José Antonio de Azevedo Cruz, Sta. Rita da Lagoa de Cima,
Campos, Estado do Rio de Janeiro. (1870/1905)

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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