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Artur Azevedo
(1855 – 1908)

 " Transeat  "
                                                        

Tu és dona de mim, tu me pertences,
E, neste delicioso cativeiro,
Não queres crer que, ingrato e bandoleiro,
Possa eu noutra pensar, ou noutro penses...

Doce cuidado meu, não te convences
De que tudo na terra é passageiro,
Frívolo, fútil, rápido, ligeiro...
E a pertinácia do erro teu não vences!

Num belo dia - has de tu veres - desaba
Esta velha afeição, funda e comprida,
Que tanta gente nos inveja e gaba...

Choras? Para que lágrimas, querida?
Naturalmente o amor também se acaba,
Como tudo se acaba nesta vida.


Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo,
São Luís do Maranhão 07 de julho de 1855,
Rio de Janeiro faleceu a 22 de outubro de 1908.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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