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" Mal de Amor "
Anna
Amélia (1896).
Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa.
Por um sorriso amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
e depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado.
Noutra parte há de em vão buscar ventura.
Fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de amor só nesse amor tem cura.
Anna Amélia Queiroz Carneiro de Mendonça,
Rio de Janeiro, Guanabara. (1896).
No volume III (Poesia Européia e Americana) desta antologia,
há traduções de Heredia, Shakespeare, John Keats e Edna
St. Vincent Millay, magnificamente feitas por Anna Amé1ia.
in
"Os Mais Belos Sonetos
que o Amor Inspirou"
J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963
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