jg_top2.gif (4392 bytes)



*****************************************

anna_amelia.gif (29393 bytes)
 "
Mal de Amor "
                                          Anna Amélia (1896).



Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa.
Por um sorriso amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar não sendo amado,
e depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado.

Noutra parte há de em vão buscar ventura.
Fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de amor só nesse amor tem cura.


Anna Amélia Queiroz Carneiro de Mendonça,
Rio de Janeiro, Guanabara. (1896).
No volume III (Poesia Européia e Americana) desta antologia,
há traduções de Heredia, Shakespeare, John Keats e Edna
St. Vincent Millay, magnificamente feitas por Anna Amé1ia.

in
"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

*****************************************


Home