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 "
Idílio "
                                           Amaral Ornelas                
                                    1886/1923


Sentamo-nos os dois à beira-mar. As brumas
pardacentos dragões que o sol vai devorando –
trepavam pelo céu; e o oceano, calmo e brando,
calçava-nos os pés de alvíssimas espumas.

Várias conchas de cor ele arrastava, em bando,
pela cauda de arminho e de nevadas plumas;
muitas - frações de aurora - iam-se abrindo, e algumas,
quais pedaços do céu, iam na areia entrando.

E enquanto ela, sorrindo, o olhar pousava em tudo,
na alva cauda do mar, nas conchas, no veludo
na arcada celestial cheia de negros véus,

via-lhe o mar na veste, a espuma nos seus folhos,
e ficava admirando a concha dos seus olhos
que vive a enclausurar dois pequeninos céus.



Adopho Oscar de Amaral Ornelas
Rio de janeiro, Guanabara, 1886 / 1923
in

"Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
  J.G . de  Araujo Jorge - 1a ed.   1963

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