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 Edna St. Vincent Millay
(1892- 1950)

“ Quando Fitei a Tua Face ”
-Soneto XVIII-
                                                                   Tradução de Ana Amélia Queiroz
                                                                                    Carneiro de Mendonça

Quando fitei demais a tua face
onde encontro uma luz que não descora,
onde um fulgor intenso eterno mora
e uma beleza igual ao sol que nasce,

volto-me esquiva numa angústia brusca,
e resoluta, ao meu temor me entrego,
pequeno ser inútil, quase cego,
por ter fitado assim o sol que ofusca.

julgo então minha vida um quarto escuro
no qual, inquieta, em ânsias singulares,
uma restea de luz em vão procuro.

E estranhando os objetos familiares,
tateio e paro em louca indecisão,
até que me acostume à escuridão.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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