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POETAS NORTE-AMERICANOS


Não conseguimos mais que dois poetas norte-americanos
para a nossa Coletânea.
A poesia dos ingleses ainda tem encontrado alguns tradutores.
Obras de Shakespeare, Wilde, Keats, Rudiard Kypling, foram passadas
para o português por poetas daqui e de além Atlântico, principalmente,
é claro, Shakespeare, de cujos sonetos e dramas há traduções completas.
Norte-americanos, com exceção de Edgard Poe e Walt Whitman, poucos poetas
transpuseram as fronteiras do idioma e pisaram em chão brasileiro.
Isto não é de admirar quando sabemos que nem os poetas espanhóis e
latino-americanos mereceram grande atenção. Mas, no caso da poesia
inglesa e da alemã, o idioma é um empecilho maior.
Razões sobram ao crítico inglês que escreveu:

“Poetry is the most difficult of arts to communicate to a
foreign coutry, because of its almost untranslatable nature”
.

(A Poesia é a mais difícil das artes como instrumento de comunicação
com paises estrangeiros, devido à sua natureza quase intraduzível. )

Além do mais, os poetas norte-americanos não demonstraram grande interesse
pelo soneto, não herdaram dos seus antepassados ingleses a atração que o
soneto exerceu, principalmente durante o Século XIX, quando Wordsworth
“esgrimia” por eles, e fazia o seu célebre aviso:

"Scorn not the Sonnet".

Tratando-se de uma coletânea de sonetos, as possibilidades de realizar
uma boa mostra de poesia se reduziram ainda mais.
Vali-me, entretanto, de uma excelente “coletânea de poemas norte-americanos”,
publicada pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura,
sob o título de “Videntes e Sonâmbulos”, e organizada por Oswaldino Marques,
há cerca de dez anos.
Osvaldino Marques, que é uma das mais fortes presenças poéticas da moderna
geração, já se vinha dedicando a traduções de poemas de Walt Withman.
Ampliou seu trabalho como antologista, selecionando para esse livro uma
série de traduções de poetas brasileiros, de poesias de trinta e três
autores norte-americanos.Dela é que retiramos os sonetos de Edna St. Vincent
Millay, em tradução da poetisa Arma Amélia. No confronto entre os sonetos
originais e as traduções, temos a impressão de que, pelo menos num deles,
o trabalho da poetisa brasileira conseguiu superar o original.
A versão de Arma Amélia do soneto XIX é realmente uma das mais belas de toda
a nossa Antologia; a poetisa brasileira foi de uma excepcional felicidade na
transposição das imagens, da emoção lírica, e conseguiu um final mais rico
de música, de sonoridade, de rimas, que o do soneto de Edna St. Vincent Millay.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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