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“Teu Corpo”

Ovídio Fernández Rios

Poeta uruguaio (1882-1963)
                                                              
Tradução de Othon Costa


Teu corpo ondula, é vibração, flutua.
Trêmula flor de neve, que parece
que em seu cálice branco resplandece
um brilho de estival clarão de lua.

Teu corpo é como a senda do destino,
linha entre Deus e o homem. Luz e arcano.
Muito divino para ser humano
e muito humano para ser divino.

Quisera, às vezes, exaltado, ao vê-lo,
dar-lhe beijos frenéticos, mordê-lo,
fundindo-o nos abraços que te desse;

mas receio senti-lo nesse dia
qual fio de cristal que eu romperia
às primeiras carícias que fizesse!

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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