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Manuel Gonzalez Prada
Peruano
(1848-1918)
“O Amor”
Tradução de J.G. de Araujo Jorge
Se és um bem, para mim, do céu caído,
por que a dúvida, a dor, a angústia, o pranto?
A desconfiança, o coração ferido
as noites de vigília e desencanto?
Se és um mal terreno, em mim nascido,
por que alegrias, o riso o canto,
as esperanças, o glorioso encanto,
das visões com que tenho me iludido?
Se és neve, por que em ti tão vivas chamas?
Se és chama, por que o gelo em tua sorte?
Se és sombra, por que a luz com que te inflamas?
Por que sombra afinal, se és luz querida?
Se és a vida, por que então me dás a morte?
Se és a morte, por que me dás a vida?
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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