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Abraham Valdelomar Pinto
Peruano (1888-1919)
"Eu, Pecador"
Tradução de J.G. de Araujo Jorge
Minha boca era assim como um favo fatal
e os beijos, um enxame, um lírico tropel
como abelhas de amor que adoçavam de mel
meu espírito cru, minha carne mortal.
E ressoava em meu ser, sincera e vertical
a inexorável voz que me vinha do céu,
essa divina luz que ao bíblico vergel
arrancou a maçã, e fez o bem e o mal
Sou, Senhor, o que mais pecou e se perdeu;
o não poder amar foi minha pena cruel,
o não poder beijar o meu tormento horrendo.
Dá-me pois, por castigo, a amarga taça, o fel,
e embora o pior servo, o que mais te ofendeu,
eu te peço perdão... porém não me arrependo!
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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