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Soror Juana Inés de La Cruz 
 (mexicana - 1651-1695)

" Soneto XVIII"

                                                   Tradução de J.G. de Araujo Jorge

Ao que ingrato me deixa, busco amante;
ao que amante me segue, deixo ingrata;
adoro a quem meu amor maltrata,
maltrato ao que este amor busca constante.


Ao que trato de amor, acho diamante,
e sou diamante ao que de amor me trata;
triunfante quero ao que de amor me mata
 e mato, mato ao que me quer triunfante.

Se a este pago, padece o meu desejo,
se rogo aquele, um impudor ostento;
de ambos os modos infeliz me vejo.

Mas tomo por partido mais seguro:
de quem não quero ser - mero instrumento
que de quem não me quer  - despojo impuro.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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