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Menardo Ángel Silva

(equatoriano - 1899-1921)

" Soneto  "
                                                              Tradução de J. G. de Araujo Jorge

No inverno há em gestação a nova primavera;
na noite mais sombria há uma alvorada pura;
o ser sábio é esperar; é forte quem espera:
bom semeador quem vela a colheita futura.

As horas dançam no ar, e se vão... É um aviso:
o riso e o pranto logo hão de encontrar um fim;
ah, feliz é quem pode ver, com o mesmo riso,
a serpente no bosque e o lírio no jardim.

Por ser inacessível é que adoro o céu!
Senhor! que eu nunca alcance o sonhado troféu,
nem satisfaça nunca a ânsia que me devora.

Triste e amargo é o fastio, os sonhos conquistados,
e farto o coração, ante os bens já gozados
em angústia, a indagar: "Que hei de pedir agora?"

in

 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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