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Manuel del Cabral
(1907 - 1999)
"Minha Canção"
Tradução de Luís Antonio Pimentel
Minha canção, canção que não pudera
sequer anunciar-se ao meu sentido,
semente, que num chão umedecido
a golpes de emoção, crescer espera.
O que apenas meu "eu" não compreendera
mas, foi, graças ao branco, pressentido,
para mim, será azul recém-nascido
de vento novo e funda primavera.
Meu verbo assoma na manhã tão bela
como um rosto curioso na janela
respingada de pássaros, ao leu.
E meu íntimo terá algo espelhado
à maneira do lago, que, assombrado
não podendo voar, roubou o céu.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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