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Rafael Maya
(1897-1980)

" A Ausente "
                                                                  Tradução de Pedro Paulo Gavazzoni Silva


Somente tu, somente tu, dizia
depois que tu te foste. Sim, somente
tu, com teus olhos nessa fronte ausente,
com teu riso só meu - minha alegria!

Tornei a ver a casa já vazia
a luz que abandonaste, indiferente,
e uma como orfandade no ambiente
que a todas as lembranças transcendia.

Mal o vôo das horas desprendeu
a sombra sobre as coisas inconcretas
e o pálido horizonte escureceu,

voltaste a aparecer muito mais viva,
no odor em dispersão das violetas
e na luz de uma tarde pensativa.


in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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