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José Asunción Silva
(1865 – 1896)
José Asunción Salustiano Facundo Silva Gómez

* 1865 Nasce em Bogotá em 27 de novembro de 1865.
Filho de Ricardo Silva Frade,e de Vicenta Gómez Diago.

* 1870 Nasce em 2 de abril sua irmã Elvira, com quem terá
uma estreita relação, a ponto de as más línguas qualificar de incestuosa.
Silva teve cinco irmãos :
Alfredo, Inés,  Guillermo, Elvira e Julia, dos quais os três primeiros
morrem muito jovens.
Elvira foi a irmã favorita do poeta, sua musa e sua confidente.

* 1875 Escreve sua primeira poesia: "Primera Comunión."

* 1878 Abandona os estudos para trabalhar com seu pai.
Escreve o poema “Suspiro.”                       

* 1882 Publica sua versão do poema “Las Golondrinas de Béranger.”

* 1885 Viaja a Paris, onde faz amizade com Dr. J.E. Manrique,
conhece Mallarmé e Gustave Moreau. Viaja a Londres e à Suíça.
A guerra prejudica os negócios de seu pai.

* 1886 Regressa a Bogotá. Conhece Baldomero Sanín Cano.
Seus costumes de dandy, adquiridas na Europa, escandalizam a sociedade.
É publicada a antologia “ La Nueva Lira” na qual aparecem oito poemas seus.

* 1887 Morre seu pai, deixando a Silva como chefe da família.
Publica dois poemas no “Parnaso Colombiano”, segunda edição.

* 1889 Escreve “Ronda”, mais conhecida com o título de “Nocturno II”
("poeta, di paso").Com freqüência se realizam tertúlias literárias
em sua casa onde compareciam, Sanín Cano, Rivas Groot,
Clímaco Soto Borda e D. Arias Argáez, entre outros.

* 1890 Escreve “La protesta de la musa”, texto em prosa.

* 1891 Morre sua irmã Elvira.

* 1893 Escreve ensaios críticos como “El Conde León Tolstoi”
e notícias literárias de Anatole France tituladas “El cofre de nácar.”

* 1894 Viaja a Caracas como secretario da “Legación de Colombia”.
Faz escala em Cartagena onde se inteira de que seus poemas são
conhecidos e admirados. Em “ Lectura”, aparece publicado o
“ Nocturno” ("Una noche..."). No tempo livre dedica-se a
poemas, contos e novelas. Ao final do ano, com a morte de Núñez,
decide regressar a Bogotá. No “El Cojo Ilustrado” de Caracas
publica uma matéria sobre Núñez.

* 1895 Na viajem de regresso o navio Amérique encalha em um banco
de areia nas proximidades de Puerto Colombia. Neste naufrágio
Silva perde grande parte dos manuscritos de sua obra que formariam
os “Cuentos Negros”, os “Cuentos de Razas”, um conjunto de
sonetos intitulados “Las Almas Muertas” e a novela intitulada “De Sobremesa”.

* 1896 Em 23 de maio põe fim a sua vida disparando um tiro em seu coração.

- O Fim do Poeta da Melancolia -
Em 23 de maio de 1896, as onze horas da noite, José Asunción Silva, jovem
poeta, aristocrático de 31 anos de idade, se despediu dos amigos com quem
acostumava conversar em diária tertúlia e deu em sua mãe e em sua irmã Julia o
beijo de boa-noite. Antes de sair da sala, um de seus convidados o deteve para
convidá-lo a almoçar no dia seguinte. Porém Silva lhe respondeu que isso não
seria possível por causa de sua saúde debilitada e acrescentou algumas palavras
sobre a inutilidade da vida.
Seu amigo, tratando de reprovar-lhe seu pessimismo, lhe disse:
— Se continuas assim, não me surpreenderá que te dês um balaço qualquer dia
desses.
_ Quem? Eu? Seria curioso que eu me matasse! —
Contestou Silva rapidamente,  sorrindo
Feitas as despedidas, Silva se dirigiu aos seus aposentos. Vestiu roupas limpas e
preparadas para o fato: calças de casimira, botas de couro e uma camiseta de seda
branca na qual se podia ver desenhado a silhueta de um coração, precisamente
sobre o lugar onde devia encontrar-se esse órgão vital. Nessa mesma manhã o
poeta havia visitado seu médico e amigo, o doutor Juan Evangelista Manrique,
com o pretexto de pedir-lhe um remédio contra a caspa. O doutor Manrique
recordaria mais tarde que Silva lhe havia pedido, que marcasse sobre a camiseta
com uma caneta o lugar exato do coração.
O poeta se recostou em seu leito e empunhou o revólver Smith y Wesson que
tinha preparado para esse momento. Colocou o cano no centro do desenho do
coração e comprimiu o gatilho. A bala traçou um relâmpago de morte no peito do
suicida e, disse um historiador,

"lhe pois fim ao poema de sua melancolia".

Ninguém ouviu o estampido. Na manhã seguinte, a criada que entrou no quarto
trazendo a bandeja do desjejum, encontrou o cadáver, com os olhos abertos e a
expressão tranqüila.
Não deixou carta de despedida, nem explicação escrita sobre os motivos do
suicídio. Foi enterrado em um local próximo a Basurero, onde eram enterrados
os suicidas porque, segundo a norma imposta na época pela Igreja Católica, os
suicidas não tinham direito a paz do cemitério, reservada exclusivamente aos
fieis praticantes do amor, da compaixão e da caridade.
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A UN PESIMISTA

Hay demasiada sombra en tus visiones,
algo tiene de plácido la vida,
no todo en la existencia es una herida
donde brote la sangre a borbotones.


La lucha tiene sombra, y las pasiones
agonizantes, la ternura huída,
todo lo amado que al pasar se olvida
es fuente de angustiosas decepciones.

Pero, ¿por qué dudar, si aún ofrecen
en el remoto porvenir oscuro
calmas hondas y vívidos cariños

la ternura profunda, el beso puro
y manos de mujer, que amantes mecen
las cunas sonrosadas de los niños?

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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