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Héctor Pedro Blomberg
( 1890-1955).
"Velhas Cartas de Amor"
Tradução de J. G. de Araújo Jorge
Ah, queimá-las não pude... É que elas - quem diria?
-guardam murchas assim, tua morta paixão,
- a febre de uma noite, as lágrimas de um dia -
como o eco já sem voz de uma última canção.
Tuas cartas! - num tempo a que eu retornaria -
fizeram palpitar de amor meu coração...
Depois, veio o silêncio, a distância, a agonia,
e o bálsamo do tempo - a cruel consolação!
Vivem nelas ainda um romance apagado,
a luz da mocidade, o fogo de um passado,
a glória de uma vida aos vinte anos em flor...
Ontem, contava-as, sim - com um gesto indiferente...
Mas, sobre elas caiu uma lágrima ardente...
... E não pude queimar tuas cartas de amor...
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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