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 Francesco Petrarca
(1304-1374)



"Na Sepultura de Laura"
                                                           Tradução de Martins Napoleão

Rimas dolentes, ide à pedra dura
que o meu caro tesouro em terra esconde;
ali chamai a quem do céu responde,
tendo o corpo mortal na sepultura.

Dizei-lhe que me canso desta escura
viagem num mar que à vida corresponde;
e os ramos recolhendo à murcha fronde,
passo a passo caminho à sua procura.

Nela tão só falando, viva e morta,
antes mais viva já, pois imortal,
por que o mundo a conheça e também ame.

Que a meu breve passar na última porta
atente; venha ao meu encontro e, qual
está no Céu, a si me atraia e chame.

in
 J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana  -
Vol. III  - 1a edição 1966


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