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Francesco Petrarca
(1304-1374)
3 "Na Morte de Laura"
Tradução de Luiz Delfino
(Privado de Laura não mais fará cantos de amor)
Seus olhos que eu cantei ardentemente,
rosto, pés, braços, mãos, já não diviso:
de mim mesmo arrancaram-me, e o juízo,
para os ter, eu fugia à toda gente.
A crespa coma de ouro reluzente,
o lampejar do angélico sorriso
que fazia da terra um paraíso
não tem mais vida agora, é pó somente.
E vivo? E calmo, tudo em torno eu olho?
Não tenho mais a luz que amava tanto
sou como nau lançada em rude escólho.
Morra também meu amoroso canto;
de lágrimas a lira em luto eu molho:
para chorá-la fique só meu pranto.
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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