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Francesco Petrarca
(1304-1374)
“Doce Ira, Doce Mal, Doce Brandura”
- Soneto-
Tradução de Jamil Almansur Haddad
(Espera que a fama há de compensar
o seu atual tormento)
Doce ira, doce mal, doce brandura,
doce afã, doce peso que hei sentido,
doce falar tão docemente ouvido
e que é doce de luz ou de aura pura.
Alma, sofre calada o que tortura,
mitiga o doce afã que te há ofendido
com o doce louvor que hás recebido
por esta que é minha única ventura.
Dia virá que suspirando diga
alguém cheio de inveja: assas sofrera
este por belo amor e seu enredo.
Outros: Ó sorte dura e tão inimiga!
Por que esta doce Dama não nascera
pouco mais tarde, ou eu, pouco mais cedo?
in
J G de Araujo Jorge,
"Os Mais Belos Sonetos Que O Amor Inspirou"
Poesia Universal - Européia e Americana -
Vol. III - 1a edição 1966
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